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sábado, outubro 09, 2010

Pilotei hoje um veleiro...

... pela primeira vez na minha vida. E ficou explicada a razão pela qual fico sempre com um ar sonhador quando os vejo percorrer o Tejo: a sensação é absolutamente arrasadora, de tão fantástico que é. Só ficou ainda melhor quando apareceu um golfinho curioso que nos acompanhou durante uns minutos do trajecto.

sábado, outubro 02, 2010

Eat Love Pray

Não vou fazer nenhuma crítica ao filme, não é esse o objectivo deste post.

Vou antes dizer que o número de mulheres que assistiu a este filme, sozinhas, deixou-me a pensar...

domingo, setembro 26, 2010

Perguntam-me: estás a gostar de Lisboa?...

... e a minha resposta demora sempre muito a sair.
Pior que não gostar, é não saber se se gosta ou não. Da mesma forma que pior que não se conseguir fazer alguma coisa, é não saber se se quer ou não fazer a coisa.
Cada vez mais me convenço que gosto de momentos, mais do que de locais, objectos e, por vezes, até de pessoas. Tal como gosto mais de músicas, do que de musicos. Ou de frases, do que de livros. Ou de cheiros, do que de perfumes. Gosto mais de sonhos, do que de dormir.
Já parei para pensar, avaliar. Mas quanto mais longe vou nesta análise, mais confusa fico.
Gosto do sol, do Tejo, dos pastéis de Belém, do Bairro Alto, das gaivotas no Parque das Nações, dos preços das refeições, dos amigos que aqui estão, da energia que sinto aqui, do que estou a aprender no trabalho, do facto das amigdalites terem parado, da minha casa, da minha liberdade.
Mas então, porque sinto que o melhor de mim ficou em Bruxelas?

terça-feira, setembro 14, 2010

Sometimes...

... one hug is enough.

sábado, setembro 11, 2010

Caminhos

A vida é feita de escolhas. Todos os dias, todos os momentos, durante toda a nossa existência, escolhemos. Não acredito na ausência do poder de escolha, acredito sim na ausência de opções, por vezes. E mesmo essas, as opções, não são mais que o encontro entre o que fizemos até hoje e o que ansiamos fazer no futuro. Ou seja, depois de tanta vida vivida e tantos sonhos sonhados, há-de existir um ponto em que, mesmo que achemos que só existe aquele caminho, conseguimos acreditar que há um desvio ali mais à frente, mesmo ao virar da esquina. Tal como numa estrada em que parece que só há um sentido e que por mais que avancemos continuamos a não encontrar um cruzamento, temos sempre a hipótese de sair do alcatrão e arriscar seguir pela terra batida. Obviamente, é mais perigoso, menos confortável. No entanto, fora do alcatrão, reparamos na quantidade de direcções que podemos tomar.

segunda-feira, setembro 06, 2010

Enquanto as palavras continuam escondidas...


Fim-de-semana no litoral alentejano.

terça-feira, agosto 31, 2010

As palavras escritas vão acabar por voltar...

... mas, por enquanto, os pensamentos estão a levar a melhor.

segunda-feira, julho 19, 2010

Caminhos

Entre o que se projecta e o que se realiza vai um imenso caminho repleto de coisas que se fazem ou que se deixam por fazer. Damos por nós a pensar no que andamos a fazer, porque o fazemos ou quando o deixaremos de fazer. Por outro lado, à medida que vamos concretizando o que antes consideramos ser o objectivo, vamos também percebendo que nos afastamos cada vez mais da razão pelo qual o fizemos. Às tantas, já estamos de tal forma presos ao que um dia ambicionamos, que nem nos apercebemos que hoje, e amanhã, isso já não faz sentido. Resta-nos ser honestos com o que ainda sonhamos fazer.

quinta-feira, julho 15, 2010

Mas eu

Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.

Álvaro de Campos

segunda-feira, junho 28, 2010

Manuais

Até aceito que digam que as mulheres deviam vir com livros de instruções... mas há homens que só fazem o download do livro em formato pdf, quando nós só disponibilizamos a versão em papel.
E depois queixam-se que há bugs...

sexta-feira, junho 25, 2010

Lisboa: ponto contra

Os amigos de Bruxelas que me ligam, numa 6ª feira à noite, a dizer que estão sentados no relvado do Cinquantenaire a pensar em mim e que Bruxelas não é a mesma comigo longe.
Termino o telefonema de aperto na garganta e muitas saudades.

segunda-feira, junho 21, 2010

Mudar

Mudar é bestial, nem que seja só um mero corte de cabelo ou uma rádio nova ao despertar. Mas mudar é também algo que nos suga as energias, que nos deixa mais sensíveis, que nos consome tempo e paciência. As minhas últimas semanas foram isto: de mala "às costas", a saltar de Bruxelas para o Porto e do Porto para Lisboa. Uma vez em Lisboa, foi o hotel e depois a casa dos amigos. Finalmente encontrada a casa onde estou, foi altura de a tornar habitável.
Ainda não sinto que viva em Lisboa, pois a minha vida tem-se resumido ao mesmo trajecto diário de metro para ir e voltar de trabalhar. Parece que o mês passou e ainda não conheci nada, não senti nada. Da mesma forma no trabalho, é como se fosse outra pessoa a trabalhar por mim, como se não fosse eu sentada naquela cadeira, em frente à secretária que foi atribuída à Bárbara. Torna-se complicado acabar algo que se começa, quando a cabeça teima em deambular por outras paragens. Fica-se menos disposto a enfrentar contrariedades, mais dado a dizer "fica para amanhã".
Nestas alturas, vem também a saudade do que de bom se deixou para trás. Pese embora a minha garganta já se tenha queixado aqui (originando a 10ª amigdalite), não deixo de dar o braço a torcer e concordar que me sinto muito mais forte num país com este clima. Isto não invalida, no entanto, que não salte uma lágrima quando os amigos que lá deixei me telefonam e pedem para voltar lá rápido.
Talvez seja uma fase ou, por outro lado, talvez seja uma das poucas constantes da vida - a insatisfação - a bater à porta e sussurrar-me ao ouvido que só me vou sentir completa quando admitir que nunca o serei na realidade.

segunda-feira, junho 14, 2010

Amigos

Há pessoas que merecem o nosso melhor. Pessoas que se preocupam genuinamente connosco, que se oferecem para nos ajudar quando se apercebem que estamos em apuros (mesmo sem o pedirmos). Pessoas que ficam felizes por nos darem uma mão, o braço e toda a sua generosidade. Pessoas que são de tal forma impecáveis que nem temos palavras para mostrar a nossa gratidão. São pessoas que, mesmo depois de já terem feito tanto por nós, ainda nos conseguem surpreender uma vez mais. Pessoas que estão no sítio certo, à hora certa. Pessoas que não questionam ou colocam em causa as nossas capacidades, mas que se mostram disponíveis para estar lá, caso seja preciso.
E dessas, com grande pena minha, não está o mundo cheio.

segunda-feira, maio 24, 2010

It takes...

... so much to disappoint me and so little to surprise me.

sexta-feira, maio 14, 2010

Ao passear hoje na Baixa do Porto...

... duas senhoras:

Sra. 1: Oh Nela, preciso comprar uns sapatos, baratinhos...
Sra. 2: Mas queres sapatos de cerimónia ou sapatos para andar?
Sra. 1: Para andar, quero uns sapatinhos para andar.

Esta vida é mesmo assim, o que é confortável não vai bem em ocasiões especiais. O que é especial, magoa. Pena é que aquilo que foi pensado com um determinado fim, seja usado indevidamente. Feliz de quem consegue a combinação certa... tenho para mim que barato nunca vai ser.

domingo, maio 02, 2010

Oscar Wilde

I like men who have a future and women who have a past.

sexta-feira, abril 30, 2010

Countdown

Ainda não o tinha referido de forma explícita aqui no blog, mas passo a fazê-lo agora: estou a queimar os últimos cartuchos na terra dos chocolates que se derretem de forma voluptuosa na boca e das cervejas que, ora aquecem o estômago nos dias mais frios, ora refrescam as ideias nos (poucos) dias mais quentes. Daqui a uma semana rumo de volta a Portugal, sendo o destino final Lisboa.

O que é que levo na bagagem, resultado de 1 ano e meio de vida em Bruxelas? Esta é a pergunta que mais tenho ouvido nas últimas semanas. E como se revelou complicada esta pergunta! Acho que consigo resumir tudo numa palavra: tolerância. As dificuldades, diferenças e alterações pelas quais passei, fizeram de mim uma pessoa mais tolerante. E, sendo mais tolerante, sou necessariamente mais calma e confiante... o que me leva a dizer, com toda a certeza, que sou uma pessoa melhor.
Na prática, vou sentir falta:
  • de sair do trabalho e encontrar os amigos numa qualquer taverna ou esplanada para beber uns copos e discutir o que se vai fazer no fim-de-semana seguinte;
  • do cheiro a chocolate a derreter nos gaufres quentinhos que se sente nas ruas e no metro;
  • das eternas e sempre interessantes descobertas no que toca a diferenças culturais;
  • da Place Luxembourg às 5as feiras;
  • das famosas festas de aniversário onde não conheço quase ninguém;
  • de ser a estrangeira do departamento;
  • da varanda de minha casa;
  • do Lukas que, infelizmente, vai ter de ficar;
  • das paredes cobertas com graffitis de banda desenhada que, ainda hoje, vou descobrindo;
  • do meu quarteirão;
  • dos amigos que fiz, amigos dignos de tal nome;
  • dos comités de crédito em Inglês;
  • da abordagem dos tipos da informática, sempre que vou à máquina do café que, discreta mas obviamente, arranjam uma desculpa para virem lançar charme à Portuguesa;
  • das quiches e tartes do Arcadi Café;
  • de sair às 17h30 do trabalho;
  • do ar de felicidade dos meus colegas, sempre que aprendo mais uma palavra ou expressão em Flamengo;
  • da tradição do pequeno-almoço em equipa às 6as feiras;

A lista podia continuar, sem ter de pensar muito... tal como a lista das coisas que me fizeram tomar a decisão de mudar. No entanto, não vou escrever essas, porque nesta última semana prefiro concentrar-me no que ganhei aqui em vez do que vou conquistar em Portugal.

Agora a aventura será outra e o desafio não vai, com toda a certeza, ser menor: uma tripeira em Lisboa, a trabalhar para um Banco francês. C'est la vie mes amis!

Motivation

Obstacles are things a person sees when he takes his eyes off his goal.

E. Joseph Cossman

quarta-feira, abril 28, 2010

Feelings

Há pessoas que vivem naquilo a que arrisco chamar de superficialidade. Pessoas que não sentem qualquer necessidade de canalizar emoções, de as filtrar, entender, viver, reviver ou reinventar. Pessoas que conseguem viver sem música, livros, poesia, dança, paisagens, conversas intensas, nós na garganta ou suspiros. Essas pessoas comem, dormem, trabalham, têm filhos, sogras e genros, eventualmente apaixonam-se e são até felizes. No entanto, se tentamos ver um pouco mais para além do que está à tona, descobrimos que não há absolutamente nada de interessante. Que os desejos foram moldados, as ambições são lugares comuns e os passatempos são clichês. Todos os dias me cruzo com pessoas assim e me interrogo sobre o porquê dessa falta de sensibilidade. Não precisamos todos de ser artistas ou incompreendidos, o mundo tem sofredores e sôfregos de sobra. Mas nada me entedia mais do que a pessoa que não tem a capacidade de parar e... sentir.

segunda-feira, abril 19, 2010

Get a life

Não há assim muitas coisas na vida que me fazem sair desta "bolhinha de paz e amor" e ter reacções de fúria e revolta.
Mas, as que existem, são deveras poderosas.
Uma delas está relacionada com as pessoas que partem imediatamente para o ataque, fazendo acusações contra os outros e julgando-se munidas de um qualquer poder que lhes dá espaço para julgarem decisões/opções/atitudes/comportamentos. Se esta atitude vier de pessoas às quais não concedemos a proximidade necessária para o fazerem ou, por outras palavras, pessoas a quem nunca solicitaríamos opinião, então o cenário ainda é pior.
Sempre fui (e sou, cada vez mais), pessoa de decidir sem consultar ninguém. O que acontece habitualmente é partilhar os meus pensamentos com as pessoas mais próximas, quanto às diversas opções que possa ter… mas raramente me ouvirão dizer "o que achas que devo fazer?". Por isso me salta a tampa quando sou confrontada, no âmbito profissional ou pessoal, com julgamentos. Trocando por miúdos, quando alguém se decide a mandar umas postas de pescada sem tentar perceber em que mar o peixe foi pescado ou quais as condições atmosféricas nesse dia. E se a pessoa que se lança na acusação perceber muito pouco do negócio do peixe, então aí a corrente deixa de seguir o seu curso natural e eu enervo-me.
E não gosto de me sentir assim... irritada.
Porque, quando irritada, sou uma pessoa má.